Lisboa

VIDEO-DOCUMENTÁRIO DA DANÇA NA MOCHILA E IMAGENS REGISTRADAS NA CIDADE DE LISBOA EM PORTUGAL

Para a montagem dos video-documentários, foi elaborada uma categorização que se baseou em rotas ou itinerários que se conectam. Em Lisboa, foram elaboradas duas rotas distintas. Rota 1: Graça e Baixa-Lisboa e Rota 2: Liberdade e Descobrimentos.

Observações históricas introdutórias:

Segundo Bairrada (1985), o Tenente General Euzébio Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado (1777-1861), é considerado o inventor das calçadas-mosaicos conhecidas mundialmente como calçadas portuguesas. No período em que foi Governador de Armas do Castelo de São Jorge (25/11/1840 – 30/04/1846), ele realizou um pequeno ensaio até a porta de armas, no entorno do Castelo. Como comandante-geral do Real Corpo de Engenheiro, ele inaugura em 1848 o primeiro projeto de calçada portuguesa na Praça do Rossio, aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Deste projeto, vieram outros que se tornaram importantes marcas artísticas e orgulho para os lisboetas. Infelizmente, muitos desses calcetamentos pioneiros desapareceram, sacrificados, nem sempre pelo desgaste natural ou às as exigências urbanísticas.

De modo geral, o que temos hoje, além de algumas iniciativas privadas, é resultado de alguns projetos de revitalização e restaurações realizados pela Câmara Municipal

Dos presidiários do Castelo de São Jorge – os primeiros calceteiros, – aos mestres reconhecidos internacionalmente, a arte da calcetaria portuguesa frutificou e é reconhecida como patrimônio cultural. Muitos calceteiros-artistas, mestres portugueses nesta arte, ganharam notoriedade e respeito internacional. Há, por exemplo, registros de nomes como o do mestre Romão nos trabalhos da Avenida Liberdade e do mestre Aníbal dos Santos com trabalhos na praça de Marques de Pombal.

As calçadas portuguesas são, portanto, legados citadinos históricos, que trazem marcas de inúmeros sujeitos: os calceteiros-artistas com sua equipe, os agentes do poder público, os transeuntes pedonais e tantos outros atores sociais velados.

Em Lisboa, a calçada portuguesa é um lugar comum citadino e turístico que se revela, sobretudo, como um lugar de ocupação de cultura e de arte além das diversas trocas e/ou gestos decoloniais.

REFERÊNCIA:

BAIRRADA, Edmundo Martins. Empredrados artísticos de Lisboa: a arte da calçada-mosaico. Lisboa: BESCL, 1985.

Narrativas Dançantes nas Calçadas Portuguesas na Cidade de Lisboa. Rota 1: Graça e Baixa-Lisboa

Os video-documentários, não têm uma trilha sonora fixa. Para a Exposição de 28/01/2023, montei uma trilha única com, majoritariamente, instrumentos de cordas. Assim entre fados, guitarras portuguesas, chorinhos, baterias de samba, cantilenas e poesias proponho uma hora e cinquenta e três minutos de uma única trilha única para todas as narrativas. Para ter a experiências que propus na Exposição assista a videodança e clique no audio abaixo do vídeo simultaneamente. Experimente assistir o video-documentário em outras passagens da trilha e comente sobre a experiência.

A rota 1 inicia-se no sítio de origem das calçadas portuguesas. Na Rua de Santa Cruz do Castelo, nas imediações do Castelo de São Jorge, na Graça, rente ao muro que leva à entrada do castelo há um pequeno resquício de calçada portuguesa, o que nos enche de imaginação. A narrativa fílmica tem sequência ainda na Graça, na Escadaria do Jardim Augusto Gil no Largo da Graça, no entorno do Mosteiro da Graça e ao lado de um dos mirantes mais lindos da cidade, que leva o mesmo nome. Graça é uma zona que apela não só aos locais como também aos estrangeiros pela sua alma, valor histórico, localização, seus cheiros, sabores e lindas paisagens. Este se tornou um sítio especial para mim, porque aqui morei durante o meu pós-doutoramento em Portugal e fui muito feliz!

Na sequência: Praça do Rossio, importante por representar o primeiro projeto dos empedrados artísticos em Lisboa e o icônico empedramento em mosaico conhecido como “Mar Largo”.

Na sequência: Chiado, Praça de Camões, Rua do Alecrim, Praça Duque da Terceira e entrada da Estação do Cais do Sodré. Neste trajeto, tendo a rua do Alecrim como intermediadora entre a margem do Tejo, o Chiado e o Bairro Alto, o subir e descer, entre os diferentes e emblemáticos empedrados artísticos, foi como flanar nas ondas da história e da beleza revelada em cada pedrinha incrustada na calçada! Editar essa experiência em video-documentário é narrar cada sensação e descobrir outros sentidos ainda até então não percebidos! Que privilégio!

Ficha Técnica

Concepção e Direção Geral: Isabel Coimbra

Performer e auto-filmagem: Isabel Coimbra

Filmagem: Ivy Coimbra, Iasmin Coimbra e Carolina Zuppo Abed

Apoio Logístico: Carolina Zupo Abed e Eustáquio Diniz

Edição: Isabel Coimbra

Duração: 13:27 minutos

Narrativas Dançantes nas Calçadas Portuguesas na Cidade de Lisboa. Rota 2: Eixo Avenida da Liberdade e Praça dos Descobrimentos

Os video-documentários, não têm uma trilha sonora fixa. Para a Exposição de 28/01/2023, montei uma trilha única com, majoritariamente, instrumentos de cordas. Assim entre fados, guitarras portuguesas, chorinhos, baterias de samba, cantilenas e poesias proponho uma hora e cinquenta e três minutos de uma única trilha única para todas as narrativas. Para ter a experiências que propus na Exposição assista a videodança e clique no audio abaixo do vídeo simultaneamente. Experimente assistir o video-documentário em outras passagens da trilha e comente sobre a experiência.

A segunda rota inicia-se no Parque Eduardo VII, o maior parque de Lisboa, situado ao extremo norte da Avenida da Liberdade, no topo da Praça Marques de Pombal. De início denominado Parque da Liberdade, foi rebatizado com o nome do Rei de Inglaterra que, em 1903, veio a Lisboa para reafirmar a aliança entre os dois países. A inserção neste sítio ocorreu na calçada ao lado leste, logo abaixo das escadarias que levam ao Pavilhão Carlos Lopes, construído em 1932, palco de variados diversos acontecimentos culturais e artísticos.

Na sequência: Avenida da Liberdade. Esta avenida apresenta-se, desde a sua construção, como a mais importante e prestigiada artéria da cidade de Lisboa. A Avenida da Liberdade nasceu por iniciativa municipal, aberta e rasgada com expropriações e demolições, marcando a primeira fase do plano de extensão de Lisboa, de crescimento urbano para norte (1879). O Passeio Público foi, assim, a primeira pedra da Avenida da Liberdade. Mais tarde, a cidade viu necessidade de proceder à urbanização do vale delimitado pelas encostas de S. Pedro de Alcântara e de Santana, associado ao tema do boulevard à francesa, o referencial comum dos planos de extensão das cidades europeias de Oitocentos. A Avenida da Liberdade, com 90 metros de largura e 1273 de comprimento, foi inaugurada em 1886. No princípio do século XX, este novo boulevard que herdara algumas árvores e estatuária do Passeio Público era já palco de passeios de domingo da burguesia lisboeta e a área escolhida para edifícios de prestigiados arquitetos. Inicia na Praça dos Restauradores e termina na rotunda da Praça Marques de Pombal.

Na sequência: Padrão dos Descobrimentos. Isolado e projetado à beira do Tejo, o Padrão dos Descobrimentos é uma marca comemorativa relativa às conquistas e exploração dos mares impulsionada pelos reis da dinastia de Avis e centrada na ação do Infante D. Henrique, senhor da Ordem Militar de Cristo. O Padrão dos Descobrimentos foi construído pela primeira vez para a Exposição do Mundo Português. A opção pela construção desta exposição em Belém pretendia privilegiar a relação simbólica de Portugal com o rio Tejo e, mais especificamente, com o local de onde desde o século XIV partiam as embarcações para explorar mares e terras desconhecidas. Em 1960, por ocasião da comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique o Padrão foi reconstruído.

 No entorno do Padrão, ondas do “Mar Largo” em pedras portuguesas ladeiam todo o complexo. Próximo à margem do Tejo, do lado direto do monumento, o impulso para dança me inundou e a inserção em dança aconteceu em direção à gigantesca rosa dos ventos incrustada no piso.

Ficha Técnica

Concepção e Direção Geral: Isabel Coimbra

Performer e auto-filmagem: Isabel Coimbra

Filmagem: Ivy Coimbra, Iasmin Coimbra

Drone: Ricardo Araújo

Apoio Logístico: Eustáquio Diniz

Edição: Isabel Coimbra

Duração: 12:11 minutos

REGISTROS EDITADOS EM JPG PARA COMPOSIÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE IMAGENS

Praça do Rossio (imagem editada para a exposição em Portugal) – Rota 1

Praça Duque da Terceira, Cais do Sodré (1877) ( Imagem editada pera a exposição em Portugal) – Rota 1

Praça Luís de Camões – Rota 1

Padrão dos Descobrimentos – Rota 2

Padrão dos Descobrimentos 2 – Rota 2